quarta-feira, 28 de abril de 2010


Louvados sejam os que não se envenenam pelo rancor!!! 

Não querendo contradizer os mandamentos que enunciam a ira como pecado capital, mas há de convir que o rancor é notadamente mais destrutivo que a ira. Visto que a ira é em poucas vezes raciocinada, em geral se manifesta de forma impensada e por meio de estímulo. Já o rancor não, é pensado e repensado, remoído e processado. Condena, através de pensamentos da pior espécie, relacionamentos afetivos promissores, amizades praticamente inabaláveis, boas sociedades, grandes equipes em prol de fatos passados que podem nunca mais acontecer. Mas ainda assim, lá está ele! Envenenando as relações, tornando as pessoas cada vez mais amargas e solitárias.
Felizes os desmemoriados que não se acometem da doença do rancor e tornam cada dia único e entendem que momentos ruins só servem para mostrar-nos o quanto os momentos bons são importantes, e só! Após isso, eles ficam para trás e nada mais incomodam, passam, simplesmente passam...
Se quiseres, dou-lhes minha memória de presente para que a encham de rancor, pois a mim só importa viver os momentos felizes!
Desses quero lembrar...

Monica Pereira - 27/04/2010

domingo, 18 de abril de 2010

A solitária Perfeição

São inúmeras as pessoas que vivem reclamando por não encontrar um par perfeito. Homens e mulheres passam anos de coração em coração buscando um sei lá o quê de completude e no fim da história é sempre o mesmo discurso: Não encontro ninguém perfeito!!! E qual é a importância da perfeição?

Os seres humanos têm a estranha mania de buscar no seu semelhante a tal perfeição. Procura que, em grande parte, só encontra soluços e desilusões. Antes de tudo, afinal de contas, o que é perfeição? A pergunta é uma, mas as respostas são infindas. Precisamos de um ponto de referência, algo fundamentado.

Segundo o dicionário: Perfeito.adj; 1. Sem par; incomparável. 2. Total; integral. Essas duas definições já nos são suficientes. O senso comum entende que o indivíduo perfeito reúne todas as qualidades desejadas por alguém tão bom, mas tão bom, que se enquadra como sem par. E sem par é aquilo (ou aquele) que não se encaixa com nada (ou ninguém), logo os perfeitos estão fadados a seguirem seus caminhos sem ter um alguém ao lado. Perdemos tanto tempo buscando coisas que não nos interessam.

Vale a busca que resulta em soma, em multiplicação. E não a que esbarra no confortante muro da admiração que bem poderia ser apelidada de covardia. Que cômodo contemplar a perfeição; que conveniente abdicar do risco de descobrir que é na imperfeição que se encontra o equilíbrio. E que amar é continuar ao lado daquela pessoa cheinha de defeitos, manias e espaços a serem completados. O total é o fim das contas; o integral à aquilo que a gente olha e acha bonito, que come porque é saudável só que no fim não tem o mesmo gosto de um imperfeito sanduíche calórico.

Perfeito é aquele adjetivo que se dá pro que se acha correto, agradável, politicamente correto e alheio a realidade daquele que assim classificou. É na imperfeição que vivemos, porque incompletos somos. Precisamos ter com e de quem reclamar; algo para contribuir no crescimento da pessoa amada. Querer perfeição é sonhar com uma auto-suficiência numa tentativa de concentrar em si todos os recursos necessários. É fornecer matéria-prima, manufaturar, comprar, revender. É um auto-saciar que nasce do medo da inconstância que mora dentro de si, mas só é vista no outro.

Alguém , depois de ler isso tudo, ainda quer mesmo a perfeição??

Wanessa Ribeiro - somewhere, someday...